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O Silêncio das Empresas à saída do Acordo de Paris dos Estados Unidos: Um Alerta para o Compromisso Climático das Empresas?

Em 2017, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, a decisão provocou uma onda de críticas não apenas da comunidade internacional, mas também de líderes empresariais de peso. Um grupo de 30 diretores de empresas com por exemplo, a Tesla, a Coca-Cola, a Disney e a JPMorgan Chase, assinaram uma carta aberta pedindo que Trump reconsiderasse decisão. Argumentavam que o Acordo de Paris proporcionava um quadro flexível e essencial para uma transição sustentável que também beneficiava os interesses económicos de longo prazo.

Contudo, quando em janeiro de 2025 Trump voltou à Casa Branca ordenou a saída dos EUA do pacto climático, o silêncio foi quase ensurdecedor. Das 30 empresas apenas duas empresas – Allianz e Virgin – reafirmaram publicamente o seu compromisso com as metas de descarbonização, sem mencionar qualquer intenção de confrontar politicamente a decisão do Governo.

Mudança de Liderança ou Mudança de Prioridades?

Uma explicação parcial pode residir nas mudanças na liderança das empresas. Desde a carta original, 18 das 30 empresas mudaram de diretor, em consequência de fusões, reestruturações ou simples rotatividade. Essa alteração pode ter diluído a memória institucional do posicionamento de 2017, mas também pode indicar um novo estilo de liderança mais cauteloso disposto a correr um menor risco reputacional ou político.

Da retórica à ação silenciosa?

Importa sublinhar que o silêncio público não implica necessariamente inação. Algumas empresas continuam associadas à America Is All In, uma iniciativa que agrupa governos locais, empresas e organizações civis comprometidas com as metas do Acordo de Paris. A America Is All In reiterou em 2021 o seu compromisso em cortar para metade as emissões dos EUA até 2030 e atingir emissões zero até 2050.

A transição climática exige tempo, investimento e estabilidade. Algumas empresas poderão ter optado por canalizar os seus esforços para ações concretas — como o investimento em energias renováveis, economia circular ou inovação “limpa” — em vez de enveredar por confrontos mediáticos. No entanto, o recuo no discurso público levanta questões legítimas sobre a resiliência e autenticidade dos compromissos assumidos.

O papel do setor empresarial na liderança climática

A crise climática exige um papel relevante da liderança das empresas — não apenas através da sua pegada ecológica, mas também através da sua opinião e como agentes da transformação social. Existe a necessidade a coerência entre discurso e a prática. Não basta comprometer-se com as metas ambientais; é necessário assumir uma posição ética e responsável quando as metas estão em risco.

Lições para o futuro: a importância da pressão contínua

A sustentabilidade não deve estar dependente dos ciclos governamentais ou modas corporativas. O compromisso climático deve ser estrutural, transparente e resiliente às flutuações do poder político.

O silêncio de hoje pode comprometer o planeta de amanhã.

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